A Revista USO é uma publicação impressa de literatura e arte independente. Nascemos do caos literário instaurado no Brasil. Às margens do espetáculo, a literatura nacional inova e se desenvolve. Experimenta-se ao abolir certezas. Os olhos assistem crescer o fascínio e o fascismo. Escritores e artistas resolvem abandonar a posse das palavras. O uso nos parece mais sápido. Uso e reuso. A convocação está feita.

Uso #3

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Como funciona a USO?

A Revista USO é um espaço aberto para publicações literárias e as artes.

O processo de curadoria visa um resultando heterogêneo e democrático. Para isso, foram criados dois núcleos de curadoria independentes: de Literatura e de Artes Visuais. Os curadores de cada edição recebem os textos do chamamento aberto (divulgado em nossas redes e eventos), analisam as obras e votam entre si os selecionados. Os curadores são escolhidos a partir de uma análise de seus projetos pessoais e de suas pesquisas, acadêmicas ou não.

 

Para cada edição, os curadores também se reúnem para deliberar sobre artistas convidados. Esse é um processo interno e independente do chamamento aberto.

 

Agora, no meio digital, a USO está aberta também para obras audiovisuais e experimentações dentro destes formatos (radionovela, podcasts, curtas e mais). Além disso, o site é mais um espaço para publicar literatura e artes visuais e transbordar o espaço limitado das páginas da revista.

 

Estamos sempre abertos para colaborações em nossos canais de contato. O objetivo é abrir espaço para novos autores/as e apresentar uma alternativa de publicação e experimentação para todos e todas quem fazem arte e literatura.

USO digital

Espaço dedicado para a publicação de obras inéditas. Uma seção aberta para divulgação de novas autoras e autores no meio digital. Uma plataforma colaborativa para textos e artes visuais que não estão publicados nas edições impressas da Revista.

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Nunca Houve Coisa Mais Bela

Felipe Alves

Como me esforço para não reparar. Aí, bem no ponto! Vamos seguir pela travessa, bem de va ga ri nho. Puxando a fumaça soltando em direção à lua. Veja ela e traseiro, do canto, rebolando com a saia xadrez, fingindo que existe outra coisa pra se olhar. Risos. Deus me tenha! De tudo, não deixo de ser o sacana, o esnobe filho da puta a passear. Cigarro na boca, vinho na mão. Desgosto. Caminho livre, farol verde, passo lento, fingindo não reparar. Ela vem, atravessa, começa a olhar. E se eu for um estuprador, ela pensa, ou no mínimo deve pensar. Dodói da cabeça aos pés, mas não ao ponto de incomodar, que o diabo me permita uma pergunta rápida, cordialidade ao acaso, olhar fixado, passada da mão no cabelo, deslizar do lábio inferior, ou da licença, por favor, que é isso, pode me indicar onde fica o Shopping, o metrô, o bar mais próximo, pois estou morrendo por uma cerveja, uma pinguinha, uma carreira de pó qualquer. Um rato atravessa meu caminho, ó meu deus! A diferença entre a sarjeta e o laboratório é a ausência de um propósito, como dizem por lá, naqueles canais cultos. Meu amigo, Crusoé, terapeuta de casais, solteirão, barrigudo, falido e viciado em codeína, sempre me diz para não buscar mulher que se ande depois das onze pelos cantos da República.

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Poema depois do amor

João Mostazo

Acontece de as coisas serem assim;

de o clarão, às vezes escuro, detonar a bomba precoce

antes que o céu fique pronto.

Acontece de o buraco voltar

e a gente nem perceber que o ladrão entupiu,

que o tempo virou,

que ficou uma sacola pra trás, pendurada, cheia de sangue e de fezes falsas.

 

Se a gente pudesse se entender no grito,

se a gente pudesse se anular

no bafo, no mel, no sólido…

Mas o mundo conserva um silêncio

e você não descobriu

o porquê, nem o quê.

 

Seu canhão pessoal tem a todos por mímicos – você é imune.

Você está no meio de tudo.

Seu metrônomo puro sangue, seu coração, sua força…

 

De nada te serve entortar um facho de luz

como quem forja uma espada com os olhos.

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