Eu me programo para eu chegar no horário combinado para a minha entrevista de emprego, o que é fundamental

Drump Goo

Os meus entrevistadores sabem que contratempos podem acontecer comigo, principalmente nos grandes centros. Eu aviso com a maior antecedência possível que vou atrasar, meus pequenos e grandes atrasos, assim eu demonstro cuidado e respeito com o meu entrevistador. 

Seja na recepção ou na sala onde acontecerá a minha entrevista, eu não preciso parecer um robô: eu me sento confortavelmente, mas sem exageros.  O meu corpo fala e, nessa hora, eu quero demonstrar interesse e energia. 

Eu fico bem acomodado e confortável, sem parecer que estou jogado no sofá da minha casa. E, por mais que a minha ansiedade com a minha entrevista seja grande, fico sentado. Eu andar de um lado para o outro, bater o meu pé ou roer as minhas unhas são atitudes que não vão me ajudar em nada, além de demonstrarem meu pouco controle emocional. 

Eu sempre me levanto quando o meu entrevistador entra. Se eu não me levanto, isso pode ser interpretado pelo meu entrevistador como falta de empatia ou de educação por minha parte. 

Eu me levanto e cumprimento o meu entrevistador com um aperto de mão firme (eu não preciso esmagar a mão do meu entrevistador, mas não vale aquele meu aperto de mão frouxo e desanimado). Na hora de cumprimentar o meu entrevistador, mostro o meu sorriso, a minha fisionomia aberta e receptiva, eu olho no seu olho e crio uma conexão com a pessoa que vai conduzir a minha entrevista. 

Normalmente os meus entrevistadores tentam me deixar à vontade pelo menos uma vez. Caso me pergunte “Você está nervoso?” e eu estiver, posso dizer que estou um pouco, mas não estendo o assunto e nem acho que com isso tenho uma desculpa para agir de qualquer jeito. A chave aqui está em eu procurar me recompor rapidamente e mostrar que tenho controle emocional. 

Eu demonstro que estou aberto e preparado, mas deixo o meu entrevistador conduzir a nossa conversa e ter flexibilidade para se adaptar. E o meu jogo de cintura vale também para o estilo da conversa. Se as perguntas se tornarem mais agressivas e desafiadoras, mantenho a calma e respondo objetivamente. Pode ser que o meu entrevistador esteja testando como eu me comporto sob pressão. E se o meu entrevistador for para o outro extremo, me chamando pelo meu apelido, usando gírias e parecendo estar bem à vontade comigo, devo me adaptar sem me tornar amigo íntimo do meu entrevistador. Eu posso sorrir, mas continuo a chamar o meu entrevistador pelo nome dele e evito falar palavrões, mesmo que o meu entrevistador os use. 

Eu começo do macro para o micro, demonstrando que tenho uma linha clara de raciocínio. Eu posso, por exemplo, começar falando brevemente o que a minha empresa faz e em qual setor da economia eu atuo. Em seguida, eu falo em qual departamento trabalhei, qual a minha função e, então, qual é o meu diferencial. Eu imagino que estou respondendo a estas perguntas básicas: “O quê?” “Como?” “Por quê?” “Qual o meu resultado?” 

Caso o meu entrevistador não fale quanto tempo dura a minha entrevista, é inteligente eu perguntar quanto tempo ele tem. Sabendo a regra do jogo, fica mais fácil eu adaptar o meu discurso ao tempo disponível. 

É positivo eu gesticular, eu demonstrar minha emoção na hora certa, mostrar que sinto orgulho do que eu conquistei. O meu segredo é eu equilibrar naturalidade com bom senso, sem que eu exagere. 

Faço perguntas como: “Quais são os desafios da minha oportunidade?” “É uma posição nova ou reposição de alguém que saiu?” e “Quais os próximos passos do meu processo?”, pois podem pegar bem. Já perguntas básicas sobre o que a minha empresa faz, é esperado que eu saiba, ou eu indagar sobre o meu salário e os meus benefícios antes mesmo de eu saber se fui selecionado não pegam nada bem. 

Eu posso, por exemplo, dizer ao meu entrevistador: “Não sei se você pode comentar, mas eu gostaria de um feedback seu com relação à vaga, eu queria entender se o meu perfil se encaixa na minha posição”. Nesse caso é importante eu aceitar a resposta e agradecer, sem eu fazer justificativas ou insistir. 

Eu me lembro que a minha postura está sendo avaliada do começo ao fim e não custa nada eu ser educado. Me despeço do meu entrevistador com o mesmo cuidado do início: o cumprimento firme, olho no olho e agradeço a minha oportunidade. 

Não vou para a minha entrevista de qualquer jeito, encaro a minha conversa como um momento especial e estou ali por inteiro, de corpo e alma. Desligo o meu celular e esqueço que ele existe. Se eu tiver um caso muito especial, aviso o meu entrevistador logo no início da minha entrevista. Digo, por exemplo: “Posso pedir um favor? Estou com um problema com meu filho, ele está no hospital, e talvez eu precise atender o meu celular. Tudo bem?”. 

Se eu esquecer de desligar e o meu celular tocar no meio da entrevista, não preciso entrar em pânico, não é por causa desse incidente que eu serei eliminado, então lido com a situação: desligo o meu aparelho imediatamente, peço desculpas e ajo com naturalidade, como se nada tivesse acontecido. 

Eu tiro os meus piercings e evito mostrar as minhas tatuagens na minha entrevista.  

Não uso muito perfume, estou com os meus dentes escovados, de banho tomado e bem vestido. 

Chego adiantado. No primeiro dia, é essencial que eu chegue cedo para eu deixar uma boa impressão, me preparo e, caso necessário, começo o meu expediente um pouco antes do normal. Eu calculo bem todos os fatores para que eu tenha 40 minutos de antecedência para sair da minha casa, enfrentar o trânsito, encontrar uma vaga para estacionar etc. Por fim, estou no local 15 minutos antes do combinado. 

Se eu tiver que usar o transporte público ou o meu novo emprego ficar em um lugar desconhecido, vou até a minha empresa alguns dias antes de eu começar para saber quanto tempo vou demorar para chegar lá. 

Eu não chego atrasado em hipótese alguma, ou vou deixar claro que não me organizei bem. Estou na porta na hora certa para mostrar aos meus superiores que tudo está nos conformes — e só vou embora quando eu terminar tudo. 

Sou pontual. A minha pontualidade deve ser ponto de honra no meu ambiente empresarial. Assumindo um compromisso, este se torna minha responsabilidade, principalmente o meu horário. Eu me organizo para chegar na hora todos os dias e para cumprir com os meus prazos propostos. Caso eu perceba que não é possível cumprir com o compromisso no horário, ligo ou peço para ligarem informando sobre o atraso. 

Uso roupas adequadas. A minha vestimenta diz muito para as outras pessoas sobre mim, assim, uso roupas discretas, sem modismos. Decotes e cores berrantes, dentre outros erros, devem ser evitados por mim, sob pena de eu perder a minha seriedade. Tomo cuidados com a minha higiene pessoal. 

Eu impressiono pela minha simpatia. Sempre sou cordial e prestativo, já no meu primeiro contato, sei ouvir e falar na hora certa e tenho sempre cartões profissionais disponíveis. 

Eu não me esqueço das regras básicas de educação. Sempre ao entrar em um local peço licença, busco cumprimentar todas as pessoas que estiverem no local, mas só estendo a mão se o meu interlocutor o fizer primeiro, e só me sento se eu for convidado por ele. 

Eu me comunico corretamente com as pessoas, busco olhar nos olhos delas, demonstro atenção no que estão falando, não me distraio durante a minha conversa e busco estabelecer um diálogo. 

Mantenho uma postura correta, não cruzo os meus braços, evito me sentar de qualquer jeito, jogando o meu corpo na cadeira, como também não me sento na beirada da minha cadeira. É importante eu ter uma boa acomodação, porém com meu corpo ereto e eu de forma adequada. 

Eu conheço o código de ética da minha empresa. Eu procuro me informar no lugar em que eu trabalho onde posso encontrar o código de conduta e o leio com atenção. 

Eu me organizo. Sou organizado e demonstro isso. Planejo adequadamente o meu tempo e a minha mesa, mantenho os meus papéis e os meus arquivos de computador nos devidos lugares, onde não só eu, mas qualquer membro da minha empresa consiga localizar quando necessário. 

Eu arrumo as minhas coisas sem que ninguém tenha que me pedir. Não espero os meus chefes me pedirem para organizar alguma coisa, eu arrumo o que for necessário para deixar o meu ambiente mais agradável para mim. 

Se eu trabalho em um escritório, troco o filtro do café ou preparo um bule novo; lavo as xícaras e as colheres e jogo fora os meus restos; tiro os sacos de lixo e arrumo as áreas de convivência. 

Se eu trabalho em um restaurante, fico de olho nos obstáculos no caminho dos outros funcionários ou ajudo a lavar as louças. Eu busco sempre formas de ajudar. 

Eu ouço e ponho em prática o que as pessoas me dizem. Não tenho medo de errar no meu primeiro dia, mas tento sempre ouvir as minhas ordens e as minhas orientações com bastante atenção para evitar acidentes. 

Eu presto atenção ao meu estilo de aprendizagem. Se eu gosto de colocar a mão na massa, por exemplo, peço para a pessoa responsável pelo meu treinamento me mostrar como fazer determinada tarefa de forma prática. 

Eu uso um caderno ou bloco de notas para registrar o passo a passo do processo e não deixar nada de fora. Além disso, eu tiro minhas dúvidas durante a orientação. Eu tento não repetir os mesmos erros. Se o meu chefe me pedir algo, ouço bem e memorizo tudo para eu não ter que perguntar de novo. 

Respeito todos do meu escritório. Respeito os meus colegas e o meu espaço de trabalho. Não fico mudo durante o meu expediente, mas evito ao máximo assuntos que exponham o meu lado pessoal ou o de alguma outra pessoa. Minhas fofocas nunca combinaram com o ambiente profissional. Além disso, eu adequo a altura da minha voz ao ambiente. 

Sou ativo. Se eu vejo lixo acumulado em um canto, não falo com o meu chefe que alguém precisa tomar uma atitude: recolho tudo por minha conta. Tento sempre criar um bom ambiente de trabalho, mas sem me exibir. 

Eu não exagero nas minhas ligações pessoais. Tomo cuidado com a utilização dos meus celulares no trabalho, eu evito ligações pessoais e, caso ocorram, eu busco ir para um local privado para realizá-las. Não falo demasiadamente alto e muito menos utilizo termos de baixo calão. Tomo cuidado com o toque do meu celular, eu o deixo no modo silencioso. 

Tomo cuidado com as minhas redes sociais. Além do celular, também tomo cuidado com outras ferramentas tecnológicas e principalmente com as minhas redes sociais. Busco saber seus limites na minha empresa. 

Eu diferencio meus amigos dos meus colegas. A amizade no meu ambiente de trabalho é um tema delicado. É importante para mim diferenciar os meus amigos dos meus colegas de trabalho, principalmente no ambiente da minha empresa. Esse limite pode me ser útil quando for necessário que eu realize uma cobrança ou dê um feedback. 

Faço o meu trabalho e o de mais ninguém. Eu me dedico à minha própria função, sem tentar me interferir na dos outros. Eu me concentro nas minhas tarefas e deixo os demais de lado, a menos que eles me peçam diretamente a minha ajuda. Ainda assim, tento sempre terminar as minhas coisas primeiro. 

Tenho um bom diálogo com os outros funcionários. O meu chefe prefere colaboradores que se dão bem, já que a harmonia gera benefícios para todos na minha empresa. Eu uso a minha voz para auxiliar aqueles que merecem. 

Eu não participo de fofocas no meu trabalho. É normal haver grupos e panelinhas no meu ambiente de trabalho, mas isso só atrapalha os meus profissionais dedicados. Eu me concentro nas minhas responsabilidades e não nas outras pessoas. 

Eu não participo quando os outros funcionários criticam ou tiram sarro de alguém.  

Se eu fofocar, mentir ou trapacear para ganhar espaço na minha empresa, eu vou acabar me dando mal no futuro e sacrificar a minha relação com os outros funcionários. Eu deixo que o meu chefe avalie as minhas habilidades por minha conta para saber se eu sou a pessoa ideal. 

Sou eu mesmo. O importante não é o que eu sei, o meu talento ou até a minha função — o importante é a minha postura e o meu comportamento. O meu chefe só me contratou por causa de determinadas habilidades minhas e traços de personalidade específicos meus que combinam com o meu negócio. Eu acredito em mim mesmo e não finjo ser quem não sou. 

Não é preciso que eu imite os meus colega. Dou à equipe um tempo para se acostumar à minha personalidade sem eu tentar mudá-la para agradar. 

Sou bem humorado. Meu bom humor é uma necessidade na minha empresa. Quando estou tendo um dia difícil, reflito se alguém do meu trabalho tem a obrigação de compartilhar as dificuldades comigo. Contudo, tomo cuidado com as minhas brincadeiras. Meu ambiente de trabalho descontraído é positivo desde que sejam feitas apenas brincadeiras saudáveis, que promovam um ambiente alegre e equilibrado para mim. 

Não tenho medo de fazer perguntas. Não me esqueço de que eu vou precisar de ajuda e de que é normal para mim recorrer aos meus superiores, ainda mais no meu primeiro dia. 

Eu tento prever o que tem que ser feito. Cada empresa minha funciona de forma diferente. Mesmo que eu seja talentoso e habilidoso, eu posso demorar um pouco para entender o que tem que acontecer e em que ordem. A melhor forma de eu me destacar é eu tentar analisar a situações e antever o que vem em seguida. 

Em algumas empresas, os outros funcionários andam e observam bastante as coisas. Eu tento já colocar a minha mão na massa quando possível. Se eu encontrar outro funcionário fazendo algo específico, não peço permissão para ajudar. 

Em outras empresas, os outros funcionários têm que pedir permissão. Se eu for trabalhar na cozinha de um restaurante e eu tiver que recolher os pratos dos meus clientes, é claro que eles vão para a lavadora de louças, mas talvez haja outro processo no meio. Eu peço autorização. 

Busco ter “jogo de cintura” na hora de imprevistos e ouço a opinião dos outros, pois muitas vezes a partir de opiniões divergentes eu chego a um ponto em comum correto. Eu preciso saber argumentar e também ceder. 

Eu traço metas profissionais mais imediatas. Não basta eu cumprir as expectativas do meu trabalho. Sou o melhor funcionário que eu consigo, com objetivos pessoais para o meu futuro próximo. Depois de alguns dias na minha empresa, tento identificar os pontos em que eu preciso melhorar. 

Se eu trabalho em um restaurante, eu tento memorizar todos os sanduíches do cardápio até o fim do mês para não eu ter que consultar a minha “colinha”. Eu também posso tentar reduzir o meu tempo de atendimento em relação ao dos outros funcionários. 

Eu me concentro mais na qualidade do meu trabalho e menos na minha eficácia. Eu faço todos os meus sanduíches com bastante atenção, sem pressa, e só passo a pensar na questão do meu tempo mais adiante. 

Sempre sou realista sobre as minhas habilidades. Eu sei me dedicar a determinadas causas e responsabilidades adicionais. Se eu quero cultivar a minha boa reputação, faço tudo o que é necessário. 

Eu não me esqueço dos meus limites. Se já tenho que fazer dez coisas em um mesmo dia, não me ofereço para fazer mais nada. Organizo bem o meu tempo. 

Sou cuidadoso quando necessário. Se um colega me pedir um favor em algo que eu não entendo bem, penso em um plano alternativo e, se necessário, recorro ao meu chefe. 

Eu trato todos com dignidade e respeito. Eu me lembro sempre de que isso afeta as minhas chances profissionais na minha empresa. Os demais funcionários também foram escolhidos de forma criteriosa, e mostrar meu desdém ou meu desrespeito a eles é uma ofensa direta ao meu chefe.  

Sou confiante e honesto na sua forma de lidar com os colegas de trabalho. 

Eu acrescento algo novo à minha empresa. Cumpro bem as minhas funções e, depois, tento pensar em formas extras de ajudar a minha empresa a crescer. Como um bom funcionário uso a minha criatividade para desenvolver táticas produtivas. 

Eu tento pensar em ideias criativas a cada dois meses ou menos, e tenho todas na ponta da minha língua para quando necessário. Eu reservo cinco minutos para discutir essas hipóteses a sós com o meu chefe e não nas reuniões gerais. 

Eu traço metas profissionais de longo prazo. Onde eu quero estar em cinco anos? E em dez? Como o meu cargo vai me ajudar? Eu traço metas claras e realistas e dou um passo de cada vez para alcançá-las. Assim, eu vou ter a motivação necessária para crescer profissionalmente e ajudar a minha empresa. 

Listo os meus objetivos a cada semana. O que eu estou fazendo no momento pode até não parecer tão importante, mas talvez vá me ajudar no meu futuro. Como essa tarefa vai contribuir com o meu crescimento? 

Eu não deixo as metas da minha empresa de lado, pois elas também são importantes. 

Eu me dedico ao que estou fazendo. Os meus chefes preferem os funcionários que gostam do trabalho que exercem — e isso sempre acontece quando eu tenho orgulho da minha função. Contudo, se eu só trabalho pelo meu salário é mais difícil eu me dedicar. Eu encontro formas de ficar mais à vontade com a minha situação. 

Eu penso no que o meu cargo pode trazer à minha vida e me lembro de que trabalhar com gosto deixa tudo mais fácil. Mesmo que eu só queira colocar dinheiro na minha casa ou pagar os meus estudos, por exemplo, entendo que as minhas atitudes profissionais têm um impacto direto em outros aspectos da minha vida. 

Eu tomo cuidado com determinadas pessoas na minha empresa. Em todo ambiente de trabalho, há pelo menos um funcionário que tenta ‘pescar’ as minhas informações pessoais ou as minhas opiniões sobre os demais membros da minha equipe. Eu não respondo a esse tipo de pergunta, pois eu posso pôr lenha na fogueira e criar confusões desnecessárias. 

Sobre o Autor

drump goo tem mestrado em Teoria e História Literária pela UNICAMP, traduziu  Grandes Esperanças, um romance de Kathy Acker, mantém o site-poema hiperpopeia, a banda Bandidos da Luz Vermelha e o projeto noise-performance AVC-LTDA, dirigiu o curta-metragem SERPÓ (2017), publica zines independentes desde 2009, tem passado manuais de instrução para a primeira pessoa do singular para otimizar a existência de um EU que não lírico nem autobiográfico e evita escrever a maior parte do tempo.